assessoria de imprensa -19/08/2026 18:10
Decisão atinge profissionais que estavam há anos no serviço público e volta a expor as consequências de irregularidades atribuídas a concurso realizado na gestão do ex-prefeito Joni Buzachero.
É difícil olhar para mais três nomes deixando o quadro de
servidores da Prefeitura de Castilho e enxergar apenas números de portarias.
Por trás de cada ato administrativo existem profissionais, famílias, anos de
trabalho e histórias construídas dentro do serviço público municipal.
As Portarias nº 218, 219 e 220, publicadas nesta
terça-feira, 18 de agosto, determinaram a demissão dos servidores Ana Paula
Ferreira dos Santos, fisioterapeuta; Cleber Siqueira Moreira, motorista; e
Miriam Rosalem Silva Gatti, também fisioterapeuta.
As demissões decorrem de decisão judicial proferida em Ação
Civil Pública que tramita perante a 2ª Vara Cível da Comarca de Andradina e se
somam a outros desligamentos relacionados às irregularidades envolvendo
concurso público realizado durante a gestão do ex-prefeito Joni Marcos
Buzachero.
É justamente aí que está o lado mais lamentável dessa
história.
Ao longo dos anos, servidores que ingressaram no
funcionalismo por meio daquele certame vêm sofrendo as consequências das
irregularidades apontadas na Justiça. Entre eles estão trabalhadores que
estudaram, fizeram suas provas, foram aprovados acreditando na legitimidade do
concurso e passaram anos dedicando sua vida profissional ao atendimento da
população de Castilho.
Para essas pessoas, o tempo de serviço, a dedicação e o
trabalho prestado não apagam as consequências jurídicas que recaíram sobre o
processo de ingresso no serviço público. E é justamente essa situação que torna
cada nova demissão ainda mais dolorosa: eventuais irregularidades cometidas na
realização de um concurso podem produzir consequências muitos anos depois e
atingir também quem acreditou estar participando de um processo legítimo.
São profissionais que organizaram suas vidas a partir
daquela aprovação, constituíram famílias, assumiram compromissos e fizeram do
serviço público sua carreira. Depois de anos exercendo suas funções, veem essa
trajetória interrompida por fatos que remontam à realização daquele concurso.
No caso das três portarias agora publicadas, ao prefeito
Paulo Duarte Boaventura não coube decidir pela permanência ou não desses
profissionais. Os atos administrativos foram editados para dar cumprimento à
determinação judicial.
A situação deixa uma reflexão que Castilho já conhece há
algum tempo: quando existem irregularidades em um concurso público, as consequências
não terminam com aqueles que eventualmente tenham dado causa ao problema. Elas
podem alcançar, anos depois, trabalhadores e suas famílias.
Ana Paula, Cleber e Miriam tornam-se agora mais três rostos
de uma história que continua produzindo consequências. Mais do que três
demissões, são três trajetórias profissionais interrompidas.E, para quem
dedicou anos de sua vida ao serviço público e à população de Castilho, nenhuma
portaria consegue traduzir o peso desse momento.