noticias ao minuto -07/08/2026 00:53
Nesta quinta-feira (6), o Vox pediu ao governo espanhol que exija que a Federação Internacional de Futebol (FIFA) exclua Marrocos da organização da Copa do Mundo de 2030, tendo em conta os "ataques extraordinariamente graves e hostis à soberania nacional e à integridade territorial de Espanha" em Ceuta. Espanha, Marrocos e Portugal tinham sido escolhidos para sediarem a Copa do mundo de 2030.
Agora, o partido de extrema-direita espanhol se junta à
coligação de esquerda Sumar e ao português Livre, em protesto contra a 'crise
migratória' em Ceuta.
No entanto, o Vox foi mais longe e afirmou ter "sérias
dúvidas" sobre a capacidade de Marrocos em participar na organização de um
evento como a Copa e considerou que, se não for expulso, a situação seria uma
"humilhação deliberada" para Espanha.
Além disso, pediu também "total transparência e
objetividade" em relação à participação de Marrocos, após terem surgido
relatos de que o presidente da FIFA, Gianni Infantino, teria oferecido a final
do campeonato ao país do norte de África em troca de apoio eleitoral. A
informação foi, entretanto, desmentida pela entidade.
"Um acontecimento desta magnitude exige que os Estados
anfitriões ofereçam garantias plenas de segurança e estabilidade, além de
manterem uma relação de confiança, cooperação e lealdade mútua", referiu o
Vox, defendendo que estas condições foram "violadas" após a
"intolerável invasão do território espanhol por mais de 80 mil marroquinos
em Ceuta".
Em Portugal, o Livre enviou uma carta ao primeiro-ministro,
Luís Montenegro, apelando a que manifeste publicamente a oposição do Governo
português "à manutenção de Marrocos como país parceiro para a Copa do
Mundo de Futebol em 2030".
"Percebendo a sensibilidade do assunto, esperamos que a
diplomacia e contato com a Real Federación Española de Fútbol e o governo
espanhol seja feita tão rapidamente quanto possível, de modo a tomar uma
decisão que não impacte a organização do campeonato e o papel organizativo da
Portugal e Espanha", dizem os deputados do Livre.
Já na Espanha, o partido Sumar pediu também que Marrocos
seja afastado organização conjunta do Mundial, invocando violações de direitos
humanos após a entrada massiva de migrantes na fronteira de Ceuta.
Através de uma moção não vinculativa, os quatro deputados
signatários - três dos quais pertencentes à Esquerda Unida - pediram ao governo
espanhol a comunicar formalmente à FIFA, à federação espanhola e ao Executivo
português a necessidade de rever o modelo de organização conjunta da
competição.
Na proposta, o Sumar argumentou que um evento desta dimensão
implica uma significativa mobilização de recursos públicos e compromissos
assumidos pelos Estados, exigindo dos países anfitriões um "respeito
efetivo e contínuo pelos direitos humanos, pelo direito internacional e pelos
princípios democráticos".
No documento, o grupo parlamentar exigiu ainda a realização
de um estudo independente sobre os riscos para os direitos humanos nos países anfitriões,
a apresentar ao Congresso no prazo de seis meses, acompanhado de propostas de
ação caso se confirmem violações graves.
Vale destacar que, além da organização em Portugal, Espanha
e Marrocos, a Copa do Mundo de 2030 incluirá também três jogos comemorativos no
Uruguai, na Argentina e no Paraguai, assinalando o centenário da primeira
edição da prova, disputada em Montevidéu, em 1930.