agencia brasil -02/11/2026 08:49
Cerca de 18,5 mil homens morreram no Brasil em 2025 vítimas
do câncer de próstata. Isso equivale a 50 mortes por dia, segundo dados do
Ministério da Saúde, divulgados pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU).![]()
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De acordo com a SBU, de 2017 a setembro deste ano, foram
registradas mais de 160 mil mortes pela doença. E há uma tendência de alta. O
número de óbitos em 2025, é 20% maior do que há dez anos (15,4 mil óbitos).
Neste ano, a previsão é de que mais de 77 mil novos casos do
agravo sejam diagnosticados no país, fazendo com que esse seja o tipo de câncer
mais comum entre os homens.
De acordo com a SBU, quando diagnosticada na fase inicial, a
doença tem 90% de chances de cura. O problema é que, nessa fase, o paciente
ainda não consegue perceber os sinais do câncer.
Apenas quando o tumor está em estágios mais avançados,
costumam surgir sintomas como presença de sangue na urina ou no sêmen, aumento
da frequência urinária, fluxo urinário fraco ou interrupções ao urinar,
disfunção erétil e dores nos ossos.
“Uma doença silenciosa em suas fases iniciais, como é o
câncer de próstata, que oferece nessa fase inicial 90% de chance de cura, ela
precisa ser procurada e rastreada, pois esperar que os sintomas apareçam pode
levar a uma perda da chance de cura. Esperar sentir dor ou ter dificuldade para
urinar significa muitas vezes chegar tarde demais ao diagnóstico”, alerta o
presidente da SBU, Roni Carvalho Fernandes.
Campanha
Neste mês, a SBU realiza a campanha Novembro Azul, que busca
conscientizar a população masculina para os riscos desse tipo de tumor, o qual
afeta a glândula responsável por produzir o líquido do sêmen que nutre e
protege os espermatozoides.
“O homem brasileiro, historicamente, se cuida menos do que a
mulher. E essa campanha é uma chance para que este homem assuma o protagonismo
da sua própria saúde e passe a entender que prevenção e diagnóstico precoce
também é uma atitude de homem”, explica.
Segundo ele, a SBU tem notado uma preocupação maior do homem
com a saúde de seu aparelho urológico e reprodutor, nas últimas duas décadas.
“É uma mudança cultural importante. O homem, que antes nem
queria ouvir falar de ir ao urologista, agora busca informações e agenda suas
consultas com mais naturalidade. No entanto, o desafio continua gigante”,
destaca.
A investigação é feita com dois exames de rotina: medição do
nível de PSA (antígeno prostático específico) no plasma sanguíneo e avaliação
do tamanho, forma e textura da próstata, através do exame de toque retal. O
diagnóstico é feito por biópsia caso haja suspeita de tumor.
A recomendação da SBU é que homens a partir de 50 anos
procurem um urologista para uma avaliação individualizada. Para pessoas com
histórico familiar da doença, para negros e para obesos, a recomendação é
começar com o rastreio aos 45 anos.
Novidades no tratamento
Em 2026, de acordo com a SBU, a cirurgia da próstata
assistida por robô foi incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS). Além disso,
o Conselho Federal de Medicina (CFM) aprovou a realização de ultrassom focado
de alta intensidade (HIFU) e crioblação.
O HIFU é um método pouco invasivo, que direciona ondas de
ultrassom para o local exato do tumor. A grande quantidade de energia focada no
ponto resulta na destruição do tecido canceroso.
Já a crioblação é feita através de agulhas muito finais que
são inseridas no local do tumor e injetam um gás congelante, o que provoca a
morte das células tumorais.