r7 -23/09/2026 11:22
O ator e diretor francês Arnaud Denis morreu aos 43 anos após ser submetido à eutanásia nesta terça-feira (22), em Namur, na Bélgica. O artista sofria de dores intensas desde julho de 2023, quando recebeu uma prótese de polipropileno para tratar uma hérnia na virilha direita.
Segundo o jornal L’Est Républicain, o procedimento causou
inflamação persistente e comprometeu o sistema imunológico de Arnaud, que foi
diagnosticado com síndrome ASIA, uma condição rara em que o paciente apresenta
diversos sintomas físicos e neurológicos após a exposição a substâncias
estranhas.
Arnaud era conhecido por atuar e dirigir peças de teatro.
Ele frequentou o Conservatório Nacional de Arte Dramática de Paris e fundou a
companhia Les Compagnons de la Chimère, mas precisou se afastar do trabalho
devido ao estado de saúde.
Em entrevista ao L’Est Républicain em janeiro deste ano, o
artista revelou que se sentia como um paciente em estado terminal e, por isso,
decidiu se submeter à eutanásia.
“Já não consigo sair de casa, não tenho vida social, não
tenho vida nenhuma. Não me resta nada que constitua a dignidade de uma vida
humana. E está a piorar cada vez mais. Vivo como um doente terminal de câncer.
Ninguém me pode ajudar. Os médicos não têm mais nada a oferecer-me”, disse.
”Não quero acabar no hospital cheio de tubos, com uma sonda de alimentação.
Após deixar o teatro, Arnaud passou a se dedicar ao projeto
Vítimas Francesas de Próteses para Hérnia, um grupo nas redes sociais que reúne
centenas de relatos de pessoas que sofreram efeitos adversos após implantes de
próteses.
Em uma de suas últimas publicações no Facebook, o homem
desabafou sobre a deterioração do seu corpo e criticou o sistema de saúde
francês. “Cansei dos maus-tratos médicos. Já contei minha história
extensivamente. Três anos intermináveis de deterioração do estado geral de
saúde desde uma cirurgia de hérnia em 2023”, escreveu.
“Quando as patologias decorrem de um procedimento cirúrgico,
como no meu caso, as portas se fecham uma após a outra, e você continua,
impotente, a assistir à sua própria deterioração, sem qualquer ajuda”, continuou.
“Sou vítima de erros médicos recorrentes e de um atendimento muito tardio em
relação ao surgimento dos meus primeiros sintomas alarmantes. Pacientes como eu
acabam sendo colocados na ‘lista negra’ da rede pública de saúde.”