agencia brasil -22/08/2026 16:19
O uso de medicamentos popularmente conhecidos como canetas
emagrecedoras tem se mostrado eficaz no combate à obesidade, mas também é
associado a casos de deficiência de vitaminas e perda de massa muscular,
sobretudo quando não há mudança de hábitos relacionados à alimentação e
atividade física.![]()
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Em entrevista à Agência Brasil, o endocrinologista
membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e
coordenador do Departamento de Farmacoterapia da Associação Brasileira para o
Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), Marcio Mancini, explica que
esse tipo de medicamento - da classe dos agonistas do receptor GLP 1 - pode
causar deficiência de micronutrientes e perda excessiva de massa muscular se
não houver um acompanhamento adequado.
Segundo ele, o forte efeito de redução do apetite e de
atraso do esvaziamento do estômago fazem com que os pacientes, muitas vezes,
reduzam drasticamente a ingestão de alimentos, o que pode levar a um consumo
insuficiente de proteínas e vitaminas.
“Quando o tratamento é iniciado, é preciso dar prioridade à
densidade nutricional. O foco principal não deve ser apenas reduzir o tamanho
das porções, mas garantir que as pequenas refeições sejam ricas em
nutrientes."
O médico sugere metas de proteína de aproximadamente
1,2 grama/quilo/dia para indivíduos jovens e saudáveis, e de 1,5
grama/quilo/dia para idosos ou pessoas em risco de sarcopenia (perda de massa
muscular.
De acordo com o especialista, também é essencial
fazer o acompanhamento da quantidade de massa magra, o que pode ser feito
por meio de exames como a bioimpedância, em consultório, e densitometria
de corpo inteiro, no em laboratório. Outra estratégia é testar a função
muscular por meio de testes de força de preensão manual (hand grip) para evitar
que a perda de músculo ultrapasse 25% de todo o peso perdido.
Mancini destaca que as queixas mais comuns associadas ao uso
de canetas emagrecedoras sem supervisão adequada incluem queda e afinamento de
cabelo e sintomas gastrointestinais persistentes, como náusea, constipação,
flatulência e sensação de estufamento mais intensos que o normal.
Para evitar tais situações, o endocrinologista lista
algumas estratégias comportamentais e dietéticas:
·
fazer consumo fracionado das refeições
(pequenas, frequentes e densas em nutrientes ao longo do dia);
·
consumir alimentos ricos em proteína logo no
início da refeição, momento em que a sensação de saciedade precoce ainda é
menos pronunciada;
·
evitar alimentos muito gordurosos, que costumam
provocar náuseas;
·
aumentar o consumo de fibras e líquidos para
combater diretamente os efeitos colaterais gastrointestinais.
Já os sinais de alerta a serem monitorados por quem
utiliza esse tipo de medicação, no intuito de evitar a desnutrição incluem:
·
diminuição da força física ou da mobilidade no
dia a dia, que pode indicar desenvolvimento de sarcopenia (especialmente
perigosa em idosos);
·
alterações de exames de laboratório, como
redução do nível de vitamina D, potássio, magnésio, ferro e vitamina B12;
·
restrição alimentar excessiva com perda completa
do prazer diante da comida, que pode indicar que a dose do remédio está
excessiva para aquele paciente.
“Por isso, é importante o trabalho de uma equipe
multidisciplinar, com orientação do endocrinologista, do nutricionista e do
educador físico no tratamento”, concluiu.
Para a mentora de mulheres Amanda Vila Nova, os efeitos do
tratamento com canetas emagrecedoras foram positivos, já que o processo foi
acompanhado por especialistas.
O resultado, segundo ela, foi emagrecimento eficaz e
qualidade de vida. “Não tive queda de cabelo nem unha enfraquecida pelo fato de
ser acompanhada e fazer a reposição de vitaminas de forma correta”.