Rev. Hernandes Dias Lopes -05/07/2026 10:32
João Batista foi o precursor do Messias. Se os profetas falaram do Messias, João Batista o apresentou pessoalmente. Se os profetas anunciaram sua chegada, João Batista teve o privilégio de batizá-lo no Jordão. Se os profetas proferiram profecias messiânicas, João Batista viu o cumprimento dessas profecias.
João Batista não pregou dentro de quatro paredes. Ele
percorreu toda a província da Judeia, toda a circunvizinhança do Jordão e como
resultado, rumaram para o deserto multidões para ouvi-lo. Dentre os seus
ouvintes estavam fariseus, saduceus, publicanos e soldados. Sua mensagem não
era para fazer cócegas nos ouvidos, mas para confrontar o coração. João não era
um alfaiate do efêmero, mas um escultor do eterno.
João pregou batismo de arrependimento para remissão de
pecados. Sua abordagem requeria uma transformação profunda: vales aterrados,
montes nivelados, caminhos tortos endireitados e caminhos escabrosos
retificados. Diante do confronto da mensagem, três perguntas lhe foram feitas.
Todas ligadas ao que deveriam fazer em resposta à mensagem.
Em primeiro lugar, a pergunta das
multidões. Quando as multidões lhe perguntaram o que deveriam fazer, João
respondeu que se alguém tivesse duas túnicas deveria dar uma para quem nada
possuía e quem tivesse comida deveria fazer o mesmo (Lc 3:10,11). Generosidade
é a marca de uma pessoa convertida. É um contrassenso um crente avarento. O
apanágio do crente é o amor que se expressa em obras.
O cristão deve ter o coração aberto, o bolso aberto, as mãos
abertas e a casa aberta. Não que um indivíduo possa entrar no céu por suas boas
obras. Ninguém recebe a vida eterna por ser generoso. A salvação é pela graça
mediante a fé em Jesus. Porém, toda pessoa regenerada é generosa. Generosidade
não é a causa da salvação, é sua evidência peremptória.
Em segundo lugar, a pergunta dos
publicanos. Os cobradores de impostos estavam ouvindo João Batista no
deserto. Eles eram a classe mais odiada em Israel. Além de repassarem aos
cofres de Roma o valor devido dos tributos, cobravam muito mais do que o devido
para embolsarem o resto. Eles exploravam o povo e se enriqueciam oprimindo as
pessoas já esfoladas pelos pesados impostos.
Quando os publicanos
perguntaram a João o que deveriam fazer com sua mensagem de arrependimento, o
pregador respondeu: “Não cobreis mais do que o estipulado” (Lc 3:12,13) Se
quisermos saber se uma pessoa é verdadeiramente convertida é só observarmos se
ela é honesta em seus negócios.
O crente não pode explorar o próximo para levar vantagem
financeira. Ele deve ser íntegro em suas transações comerciais. Ele deve ser
uma pessoa confiável na maneira de lidar com o dinheiro. Ele não vê o próximo
como alguém a ser explorado, mas como alguém a ser servido. Honestidade nos
negócios é evidência de um caráter transformado.
Em terceiro lugar, a pergunta dos
soldados. Os soldados romanos também eram ouvintes de João Batista. Ao
perguntarem a ele o que deveriam fazer com sua mensagem, João respondeu: “A
ninguém maltrateis, não deis denúncia falsa e contentai com o vosso soldo” (Lc 3:14).
Um cristão não pode usar a posição que ocupa, seja no cenário político, militar
ou eclesiástico para maltratar seus subordinados. A liderança no reino de Deus
é servidora. O maior deve ser servo de todos.
Um cristão não pode fazer parte de esquemas de opressão para
denunciar inocentes. Sua palavra precisa verdadeira e não mentirosa. Deve
edificar e não destruir. Deve promover a honra e não assassinar reputações. Por
fim, o cristão não pode imiscuir-se em esquemas de corrupção para levar
vantagem financeira. Aqueles que vendem sua consciência por dinheiro para
receber ou dar propina, para ter lucros abusivos, demonstram por essas atitudes
que jamais foram convertidos, pois o evangelho transforma o caráter, a conduta
e a vida. O contentamento com piedade é grande fonte de lucro. Ganhar mais é um
direito legítimo, mas ganhar mais com desonestidade é um desatino.
A nação brasileira precisa de um choque ético. Os cristãos
precisam de um choque ético, uma vez que a maior crise que enfrentamos é a
crise de integridade. Como só o evangelho de Cristo transforma, a nação carece,
com senso de urgência, do evangelho!