hernandes dias lopes -03/05/2026 11:41
Os Dez Mandamentos nos foram dados como princípios permanentes para reger nosso relacionamento com Deus e com seu próximo. Escritos em duas tábuas de pedra, os quatro primeiros mandamentos versam sobre como devemos reconhecer que só o Senhor é Deus, como devemos adorá-lo, como devemos honrar seu nome e como devemos dedicar a ele as primícias do nosso tempo.
Na segunda tábua da lei, estão os outros seis mandamentos
balizando nossa relação com nosso próximo. Assim, devemos honrar pai e mãe,
respeitar a vida, a honra, os bens, o nome e tudo que o próximo possui.
No sétimo mandamento: “Não furtarás”, temos algumas
implicações que passo a considerar:
Em primeiro lugar, este mandamento deixa
implícito que precisamos trabalhar. O trabalho traz honra, o furto vergonha.
O trabalho produz riqueza, o furto pobreza. O trabalho glorifica a Deus e
dignifica o homem, o furto desonra a Deus e prejudica o homem. O trabalho é uma
ordenança divina, o furto uma proibição divina.
A ordem peremptória é: quem não trabalha, também não coma. O
pão de cada dia é dado por Deus em resposta ao trabalho. É do suor do nosso
rosto que devemos comer nosso pão. Furtar é querer o bônus do desfrute sem o
ônus do trabalho.
Em segundo lugar, este mandamento abrange
diversas formas de furtar. O furto é cometido tanto no anonimato quanto no
estrelato. Ocorre quando esquemas são tramados para desviar recursos pelo viés
da corrupção, bem como no ato de sequestrar os bens alheios pela força, pelo
assalto, pelo sequestro e por outras formas perversas.
O furto, outrossim, ocorre quando vendemos um produto e
entregamos outro de qualidade inferior. De igual modo, o furto ocorre quando
prometemos entregar uma totalidade e entregamos apenas parte. Deus abomina a
balança enganosa. Ele se coloca contra os comerciantes desonestos que entregam
menos do que vendem, entregam produtos adulterados com o discurso de que estão
entregando com selo de qualidade.
Em terceiro lugar, este mandamento deixa claro
que o roubo é fruto da preguiça desmedida. O preguiçoso não quer
trabalhar, mas gosta de desfrutar do trabalho alheio. Além de nada produzir,
ainda quer apropriar-se indebitamente daquilo que não lhe pertence. O
preguiçoso não perde uma oportunidade para surrupiar o alheio, seja às
escondidas ou mesmo acintosamente.
Essa cultura de levar vantagem em tudo estabeleceu a prática
nefasta do crime de colarinho branco nas mais respeitadas instituições públicas
e privadas. Indivíduos já abastados querem mais e não hesitam em se apropriar
dos bens até mesmo daqueles mais vulneráveis. A roubalheira tem sido instituída
em nossa nação.
Os escândalos financeiros se multiplicam. As Comissões
Parlamentares de Inquérito destampam esse fosso nauseabundo quase todos os dias
e constatam que ratazanas esfaimadas não hesitam em se enriquecer ilicitamente.
O sétimo mandamento da lei de Deus é uma proibição peremptória a essa prática
vil.
Em quarto lugar, este mandamento ainda aponta
que os ladrões não herdarão o reino de Deus. Aqueles que furtam, amam o
dinheiro e não a Deus. Aqueles que roubam amam a si mesmos e não ao próximo.
Aqueles que servem ao dinheiro não podem servir a Deus. Os ladrões não herdarão
o reino de Deus (Ap 21:8). Amor ao dinheiro é a raiz de todos os males. Por
amor ao dinheiro, indivíduos mentem, roubam, matam, morrem e se perdem
eternamente. Certamente, o dinheiro é mais do que uma moeda; é um ídolo, um
deus, é Mamom.
O dinheiro é o maior senhor de escravos da nossa geração.
Jesus disse que ninguém pode servir a dois senhores. A não ser que o homem se
arrependa e creia em Jesus, o Filho de Deus, e seja transformado para viver uma
vida sensata, justa e piedosa, jamais poderá desfrutar da verdadeira vida, a
vida eterna.
Aquele que é transformado por Jesus não é mais escravo do
dinheiro; usa-o para atender suas necessidades e ainda socorrer aos
necessitados. Trabalho e generosidade e não avareza e desonestidade são o
apanágio de um cristão verdadeiro.
Rev. Hernandes Dias Lopes