noticias ao minuto -01/10/2026 09:38
Um chiclete encontrado grudado nas costas de uma adolescente assassinada em 1978 foi uma das evidências que ajudaram a solucionar um crime que permaneceu sem resposta por quase cinco décadas nos Estados Unidos. Mark Stanley Personette, de 80 anos, foi condenado à prisão perpétua pelo assassinato de Marissa Rolf Harvey, morta durante uma visita a São Francisco, na Califórnia.
O crime aconteceu em 27 de março de 1978. Marissa, que vivia
em Nova York e estava visitando a irmã na Califórnia, saiu para passear pelo
Golden Gate Park e desapareceu. Seu corpo foi posteriormente encontrado perto
do Sutro Heights Park.
"Após quase 50 anos, o sr. Personette finalmente está
sendo responsabilizado pelos crimes hediondos contra Marissa e passará o resto
da vida na prisão", afirmou a promotora distrital de São Francisco, Brooke
Jenkins, em comunicado divulgado nesta quarta-feira, segundo o "New York
Post".
"Embora isso não possa trazer Marissa de volta,
esperamos que a sentença de hoje dê à família a sensação de que foi feita
justiça por tudo o que sofreram", acrescentou.
Marissa desapareceu durante passeio em São Francisco
Marissa estava em São Francisco para visitar a irmã quando
decidiu conhecer o Golden Gate Park. Depois de sair para o passeio, não
retornou. O corpo da adolescente foi encontrado posteriormente em uma área
próxima ao Sutro Heights Park. Segundo a investigação, ela havia sido vítima de
violência sexual e estrangulada.
Na época, porém, os investigadores não conseguiram
identificar o responsável. Sem elementos suficientes para chegar a um suspeito,
o assassinato acabou se tornando um "cold case", expressão utilizada
nos Estados Unidos para casos antigos que permanecem sem solução.
Caso foi reaberto mais de 40 anos depois
A investigação ganhou uma nova oportunidade em outubro de
2020, quando as autoridades decidiram reexaminar as evidências preservadas do
assassinato.
Os avanços tecnológicos permitiram que materiais recolhidos
em 1978 fossem submetidos a técnicas modernas de análise genética. Os
investigadores recorreram a testes avançados de DNA e à genealogia genética
investigativa, método que pode cruzar perfis genéticos com bancos de dados para
encontrar possíveis parentes e chegar a suspeitos.
A análise revelou a presença de um perfil masculino de DNA
na blusa e na calça de Marissa. Mas havia outra evidência que se tornaria
fundamental para o caso: um chiclete seco que permanecia grudado na região das
costas da adolescente.
DNA em chiclete levou investigadores a Personette
O material genético recuperado das evidências levou os
investigadores até Mark Stanley Personette, que vivia no Colorado. Faltava,
porém, conseguir uma amostra do suspeito para realizar a comparação.
Agentes do FBI passaram a acompanhar Personette e
conseguiram recolher objetos que ele havia descartado no lixo em um
estacionamento de uma unidade do Walmart, em Denver. O material foi levado para
análise e o perfil genético obtido foi comparado ao DNA recuperado das
evidências preservadas do assassinato. Segundo a acusação, houve
compatibilidade.
Polícia encontrou placas da Califórnia na casa do
suspeito
Depois que o DNA apontou para Personette, as autoridades realizaram
buscas na casa dele.
Durante a operação, os investigadores encontraram placas de
veículos da Califórnia, um detalhe considerado relevante porque Personette
havia negado ter estado em São Francisco.
A investigação reuniu as novas evidências genéticas e outros
elementos para construir o caso contra ele, mais de quatro décadas depois da
morte de Marissa. Personette acabou sendo levado a julgamento pelo assassinato.
Outra mulher acusou Personette de abuso em 1979
Durante o julgamento, os jurados também ouviram o depoimento
de outra mulher que acusou Personette de um crime cometido no ano seguinte ao
assassinato de Marissa. Ela contou que tinha 16 anos quando foi vítima de abuso
sexual em 1979, em Nova Jersey.
O depoimento foi apresentado durante o processo contra
Personette, que acabou considerado culpado pelo assassinato de Marissa.
Condenado passará o restante da vida na prisão
Ao anunciar a sentença, os promotores destacaram o trabalho
realizado para solucionar um assassinato que permaneceu aberto durante quase
meio século. "Esta sentença reflete a extraordinária crueldade da conduta
de Mark Personette e o mal que causou", declarou Brooke Jenkins.
Segundo a promotora, a condenação garante que Personette
"passará o resto da vida enfrentando as consequências de ter matado
Marissa". O caso também mostra como evidências aparentemente pequenas,
preservadas durante décadas, podem ganhar importância à medida que novas tecnologias
forenses se tornam disponíveis. No assassinato de Marissa, um chiclete que
permaneceu preso à roupa da vítima por quase meio século acabou ajudando a
ligar o criminoso ao caso.