metropoles -21/05/2026 09:15
Autoridades de São Paulo deflagraram, nesta quinta-feira (21/5), uma operação contra um esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC). Entre os alvos, está a influenciadora Deolane Bezerra, suspeita de envolvimento com a facção e alvo de um mandado de prisão.
Após pedido da Polícia Civil com apoio do Ministério Público
paulista, a Justiça determinou o bloqueio de valores superiores a R$ 327
milhões, além do sequestro de 17 veículos — incluindo modelos de luxo
avaliados em mais de R$ 8 milhões — e quatro imóveis ligados
aos investigados. Seis prisões preventivas foram decretadas.
As medidas, segundo as autoridades, buscam interromper o
fluxo financeiro ilícito, preservar ativos de possível origem criminosa e
atingir a estrutura econômica do PCC.
Operação começou com troca de bilhetes
A Operação Vérnix, da Polícia Civil com
o Ministério Público de São Paulo, é fruto de uma investigação que começou em
2019. Na ocasião, policiais penais apreenderam bilhetes com detentos da
Penitenciária II de Presidente Venceslau. Os manuscritos revelaram elementos
relacionados à dinâmica interna do PCC, à atuação de lideranças do crime
organizado e possíveis ataques contra agentes públicos.
Após a descoberta, a Polícia Civil descobriu um trecho que
citava uma “mulher da transportadora”, que teria feito um levantamento de
endereços de servidores públicos para auxiliar no planejamento dos ataques da
facção.
A investigação levou a uma transportadora em Presidente
Venceslau, interior de São Paulo, posteriormente reconhecida judicialmente como
instrumento utilizado pelo crime organizado para lavagem de dinheiro, e deu
origem à segunda fase da operação, batizada de Lado a Lado. Essa etapa revelou
movimentações financeiras incompatíveis, crescimento patrimonial sem lastro
econômico suficiente e a utilização da transportadora como braço financeiro do
PCC.
Durante a Operação Lado a Lado, as autoridades apreenderam
um celular e analisaram mais trocas de mensagens de pessoas ligadas à facção. O
conteúdo também revelou indícios de repasses financeiros à Deolane Bezerra e
apontou estreitos vínculos pessoais e comerciais da influenciadora com um dos
gestores fantasmas da transportadora.
Entenda o envolvimento de Deolane Bezerra
Segundo a investigação, Deolane desempenhava um papel
fundamental ao fornecer uma camada de aparente legalidade para os recursos
ilícitos do PCC.
A projeção pública da influenciadora, além de suas
atividades empresariais formais e da movimentação de seu patrimônio, era
utilizada para ocultar e dissimular a origem criminosa do dinheiro,
dificultando a identificação do vínculo com a facção.
Deolane, segundo os investigadores, possuía vínculos
pessoais e negociais estreitos com um dos “gestores fantasmas” de uma
transportadora em Presidente Venceslau. A empresa já havia sido identificada
como braço financeiro do PCC em uma operação anterior.
Os investigadores ainda apontam que a influenciadora
apresentou movimentações financeiras expressivas e um fluxo vultoso de dinheiro
que não possuía lastro econômico compatível com suas atividades.
A estrutura envolvia o recebimento de valores de origem não
esclarecida por meio de empresas, além da aquisição ou vinculação a bens de
alto padrão, como imóveis e veículos de luxo.
Deolane, segundo os investigadores, passou a ocupar posição
de destaque no caso em razão de movimentações financeiras expressivas,
incompatibilidades patrimoniais e indícios de conexão com o comando do PCC. Os
levantamentos apontaram recebimentos de origem não esclarecida, circulação de
valores milionários e aquisição de bens de alto padrão. Para os investigadores,
a projeção pública, a atividade empresarial da transportadora e a movimentação
patrimonial dos envolvidos eram utilizadas para camuflar o esquema e dificultar
a origem ilícita dos recursos.
A quebra de sigilos revelou um alto fluxo de dinheiro sem
lastro compatível, além de movimentações bancárias atípicas, contas utilizadas
para passagem de valores e operações com empresas sem capacidade financeira
aparente.
Na terceira fase da investigação, com a operação deflagrada nesta
quinta-feira (21/5), as autoridades buscam descortinar um esquema mais amplo de
lavagem de capitais, com ramificações empresariais, patrimoniais e financeiras.
Foram decretadas seis prisões preventivas, bloqueios de valores superiores a R$
327 milhões, além da apreensão de 17 veículos, incluindo modelos de luxo.