noticias ao minuto -02/10/2026 10:49
A carne bovina brasileira pagará uma tarifa total de 67%
para entrar no mercado chinês a partir desta quinta-feira (1º). Uma
cobrança adicional de 55% se somará à tarifa regular de 12%, uma vez que o
Brasil esgotou a cota anual de exportações estipulada pelo país asiático.
A medida preocupa frigoríficos e pecuaristas, que já avaliam
antecipar abates e embarques para aproveitar a cota de 2027.
O Brasil atingiu o limite de 1,106 milhão de toneladas
previsto para 2026. Para o próximo ano, a cota sobe para 1,128 milhão de
toneladas, mas representantes do setor estimam que o novo limite possa ser
alcançado em março ou abril de 2027.
Impacto imediato
O país asiático é o principal destino da carne bovina
brasileira e ganhou espaço significativo nas exportações do setor na última
década.
De 2016 a 2025, o Brasil enviou 8,2 milhões de toneladas de
carne bovina à China, movimentando US$ 42,3 bilhões. O volume saltou de 164,9
mil toneladas, em 2016, para 1,6 milhão de toneladas, em 2025.
A concentração das vendas no mercado chinês aumenta a
preocupação do setor com os efeitos da sobretaxa sobre o fluxo de caixa dos
frigoríficos.
Estratégia para 2027
Diante da perspectiva de esgotamento rápido da próxima cota,
a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) discute a
possibilidade de que as empresas antecipem a produção e os embarques:
A estratégia permitiria utilizar a cota do próximo ano logo
no início de sua vigência. O ritmo das compras chinesas, porém, também será
determinante para os negócios.
Pressão sobre frigoríficos
Segundo a Abiec, os efeitos da restrição começaram antes do
esgotamento oficial da cota. Nos últimos meses, frigoríficos reduziram as
vendas para a China e precisaram buscar compradores em outros mercados.
A entidade também voltou a discutir com o governo uma
divisão da cota de 2027 entre os frigoríficos. A proposta busca distribuir os
embarques ao longo do ano e evitar que poucas empresas concentrem o volume
disponível.
Na terça-feira (29), a China autorizou mais duas unidades
brasileiras a exportar carne bovina: uma de Minas Gerais e outra de Pernambuco.
Protecionismo chinês
A China adotou o sistema de cotas como medida de proteção ao
mercado interno diante do aumento das importações. A sobretaxa não é exclusiva
ao Brasil e afeta outros fornecedores.
O mercado chinês enfrenta ainda um cenário de preços mais
baixos da carne bovina e aumento da oferta doméstica. As importações chinesas
do produto cresceram de menos de 1,5 milhão de toneladas, em 2018, para cerca
de 2,8 milhões de toneladas nos anos recentes.
O Brasil passou a responder por mais de 40% do volume
importado pela China.
A mudança ocorre em um momento de maior atenção do setor
brasileiro às condições de acesso ao mercado chinês. A Abiec estima que as
exportações totais de carne bovina do Brasil em 2026 recuem cerca de 10% em
relação a 2025, num cenário que também inclui restrições adotadas pela União
Europeia.