cnn -22/08/2026 15:32
O ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal),
liberou nesta sexta-feira (21), a ação que discute a validade das mudanças
promovidas pelo Congresso Nacional na Lei da Ficha Limpa para julgamento em
plenário virtual entre 11 e 18 de setembro. A conclusão do caso deve impactar
diretamente a eleição de governadores e demais cargos em disputa em outubro.
Enquanto o STF não conclui o julgamento, permanecem incertas
as situações das candidaturas de políticos como José Roberto Arruda (PSD-DF) e
Anthony Garotinho (Republicanos-RJ), que disputam governos locais. Há, ainda, o
ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha que quer voltar à Casa por Minas Gerais.
A expectativa é a de que Gilmar abra divergência e argumente
que as mudanças da legislação impedem prazos muito alongados para as
inelegibilidades.
O caso começou a ser analisado em maio, mas foi suspenso por
um pedido de vista de Gilmar. Pelos prazos do Supremo -de 90 dias para
análise-, o decano teria até 5 de outubro para devolver a ação ao plenário. A
interlocutores, o ministro avaliou que seria ruim que o julgamento ocorresse
entre os dois turnos das eleições.
Para ele, no entanto, a indefinição não atrapalha as
candidaturas, em si, já que elas podem acionar a Justiça para concorrer sub
judice, ou seja, com a candidatura ainda sob análise do Judiciário e podendo
tanto ser confirmada ou impedida.
Até o pedido de vista, a relatora, Cármen Lúcia, e Luiz Fux
haviam votado para que os oito anos de inelegibilidade só comecem a contar a
partir do fim do cumprimento da pena. O texto analisado prevê que políticos
condenados não poderão ser candidatos por oito anos a partir da data da
condenação.
O Congresso aprovou em setembro de 2025 um projeto que reduz
os efeitos da inelegibilidade ao permitir que o prazo de oito anos passe a ser
contado a partir da condenação, e não após o cumprimento da pena. A mudança foi
contestada no STF pelo partido Rede Sustentabilidade.
Ao votar, Cármen Lúcia foi favorável à volta da redação
anterior do projeto aprovado no Senado. Para a relatora, os senadores alteraram
o espírito da lei ao flexibilizá-la. Assim, a proposta deveria ter retornado à
Câmara.
Ela também defendeu que as alterações na Lei da Ficha Limpa
pelo Legislativo são "incompatíveis com o modelo constitucional
democrático" e que o STF tem o compromisso de afastar atos que dificultem
a probidade administrativa e a moralidade pública.
Cármen Lúcia também afirmou que as alterações na Lei da
Ficha Limpa significam possível "impunidade ou anistia", capazes de
comprometer a integridade do processo eleitoral.
Segundo a relatora, as mudanças "estabelecem cenário de
patente retrocesso ao que se tinha estabelecido como instrumento de garantia
dos princípios republicano, da probidade administrativa e da moralidade
pública".
Governador do Distrito Federal entre 2007 e 2010 e pivô do
mensalão do DEM, Arruda foi preso e condenado em processos derivados da
Operação Caixa de Pandora, de 2009, quando foi filmado recebendo um maço de
dinheiro.
Depois de mais de 15 anos, decidiu voltar à política e se
lançou candidato para desafiar a governadora Celina Leão (PP), mas enfrenta um
cenário de dúvidas no campo jurídico: como tem um recurso sem julgamento há
anos, a pena de inegibilidade não começou a ser cumprida ainda.
A primeira pesquisa Datafolha para o governo do Distrito
Federal após o registro oficial das candidaturas, divulgada nesta sexta, mostra
empate técnico entre a atual governadora, Celina Leão (PP), e Arruda (PSD). No
cenário da pesquisa estimulada, a governadora tem 30% das intenções de voto,
ante 28% do adversário. A margem de erro é de três pontos percentuais, para
mais ou para menos.
No Rio de Janeiro, três ex-governadores que planejavam ser
candidatos enfrentaram pendências judiciais ou foram alvo de investigações,
como mostram os casos de Cláudio Castro, Anthony Garotinho e Wilson Witzel.
Cláudio Castro (PL) desistiu da disputa após tornar-se alvo
de investigações da Polícia Federal. Garotinho se lançou pré-candidato em meio
a um cenário de dúvidas. Mas o STF anulou condenações decorrentes da Operação
Chequinho em maio, em decisão que lhe devolveu a elegibilidade. Witzel se
filiou ao Democrata, antigo Partido da Mulher Brasileira, para concorrer
novamente ao governo do Rio, mas o processo de impeachment o declarou
inelegível por cinco anos em 2021.
O ex-governador Garotinho aparece em terceiro, com 9%, nas
intenções de voto para o governo estadual, de acordo com pesquisa Datafolha. O
ex-prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes (PSD) aparece na liderança. Paes
registra 41 % das intenções de votos. Em segundo lugar está o presidente da
Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) Douglas Ruas (PL), com 19%.