metropoles -22/06/2026 22:23
A defesa do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), apresentou, nesta segunda-feira (22/6) um recurso pedindo que o Supremo Tribunal Federal (STF) anule a decisão do ministro André Mendonça que autorizou os mandados de busca e apreensão contra ele na última quinta-feira (18/6).
Jaques foi um dos alvos da 9ª fase da operação Compliance
Zero que investiga o caso Master. A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e
apreensão em endereços ligados ao parlamentar e aponta que o senador baiano
atuou a favor dos interesses do banco de Daniel Vorcaro em troca de vantagens
econômicas.
“A defesa sustenta que a medida está equivocada pelos
seguintes motivos: o senador jamais atuou no Congresso Nacional para favorecer
o Banco Master. Prova disso é que a única emenda de sua autoria sobre o tema,
apresentada à Medida Provisória n. 1106/2022, propunha limitar juros e proteger
os consumidores, justamente o contrário dos interesses do Banco”, diz a nota do
senador.
A declaração se refere ao suposto apoio que Jaques teria
dado, segundo a PF, à emenda apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI)
para aumentar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para R$ 1 milhão
na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da autonomia do Banco Central.
A emenda, apelidada de “emenda Master”, acabaria rejeitada
pelo relator da PEC, Plínio Valério (PSDB-AM), que disse, em nota, que Jaques
Wagner em “nenhum momento sequer” tratou da emenda com ele.
A defesa do líder do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
também aponta que o dinheiro apreendido, que soma cerca de US$ 55 mil e 33,5
mil euros, em endereços ligados a Jaques Wagner durante a operação tem origem
lícita.
Como dito no dia da operação, o senador baiano sustenta que
os recursos são provenientes de diárias recebidas do Senado Federal por viagens
oficiais. No entanto, como mostrado pelo Metrópoles, o valor
apreendido supera em
cerca de R$ 143 mil o total de diárias recebidas pelo líder do governo neste
mandato
Segundo o senador, “parte é proveniente de diárias
publicamente declaradas pagas pelo Senado para missões no exterior, e outra
parte foi adquirida por meio de operações oficiais junto à instituição
financeira, com registro regular”.
“Não há nada a ocultar. O próprio Ministério Público Federal
já havia considerado prematura a apreensão desses bens. A defesa confia que o
Supremo Tribunal Federal corrigirá os equívocos e reafirma a tranquilidade do
senador quanto à sua conduta”, diz a nota assinada pelo advogado Pablo
Domingues.
O recurso se dá em meio à crescente pressão de diferentes
alas do governo para que Jaques Wagner entregue a liderança. Apesar de ter
negado qualquer irregularidade ou que deixaria o cargo, a permanência de Jaques
Wagner acendeu um alerta dentro da campanha da reeleição de Lula, que tenta se
afastar de qualquer ligação com as fraudes atreladas a Daniel Vorcaro.