cnn -11/08/2026 13:16
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) foi
acusado pelo comerciante Luiz Antônio Lopes de forjar denúncia de
estupro contra Alfredo Gaspar (PL-AL), agora candidato à
vice-presidência na chapa de Flávio Bolsonaro (PL).
O petista negou as acusações e acionou o STF (Supremo
Tribunal Federal), na segunda-feira (10), pedindo pela anulação da
investigação. O caso faz referência à apuração de violência sexual contra
Gaspar, que teria tido um filho com uma jovem menor de idade.
Lindbergh e a senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) levantaram a
suspeita durante a CPMI do INSS, em 28 de março. Gaspar era relator da
comissão e alega ser vítima de acusação caluniosa.
No dia 23 de abril, Luiz Antônio Lopes afirmou, em
depoimento à Polícia Legislativa Federal, que participou de uma armação,
"mediante promessa de pagamento", para acusar Alfredo Gaspar de
estupro.
Segundo o depoimento, ao qual a CNN Brasil teve
acesso, Luiz Antônio disse que tinha observado a presença de uma jovem perto do
local onde trabalhava que estaria acompanhada por uma jornalista e um assessor
do parlamentar chamado Lucas — a reportagem verificou que não há, atualmente,
ninguém no gabinete de Lindbergh com este nome.
Luiz Antônio também disse que essa jovem "havia sido
preparada para conceder entrevista sob identidade falsa" para acusar um
político de estupro de vulnerável e de ser pai de seu filho.
Ainda conforme o depoimento, essa jovem receberia dinheiro
de Lucas, em valores que seriam entre R$ 2.000 e R$ 4.000, para sustentar
essa história. O depoente também disse que a jovem cobrou o deputado Lindbergh
em uma reunião virtual.
Luiz Antônio se filiou ao Partido Liberal em 30 de abril
deste ano, sete dias depois do depoimento, segundo informações obtidas
pela CNN Brasil.
Em nota, o deputado reclama da atuação do acusador e refuta
as alegações. "Lindbergh nega veementemente todas as declarações da
suposta testemunha Luiz Antônio Lopes, que considera inverídicas. Afirma que
ele é desafeto político e já teria criado outros factoides, como a falsa
tentativa de vinculá-lo a Adélio Bispo", ressalta trecho da nota.
Em outra parte, a equipe jurídica de Lindbergh alega
que "o caráter inquisitivo e a produção deliberada e unilateral de
acervo incriminatório contra parlamentar federal, por órgão sem atribuição, à
revelia de qualquer controle, configura aberração jurídica que viola o devido
processo legal, o contraditório e a ampla defesa".
Nas redes, o deputado acusou Luiz Antônio de ser "um
perseguidor contumaz". "A turma que forjou essa picaretagem vai ter
que responder à Justiça", pontuou.
Até o momento desta publicação, a equipe de Alfredo Gaspar
não se manifestou. A reportagem também tenta contato com Luiz Antônio. O espaço
segue aberto.
Entenda o caso
A informação de que havia uma suspeita de estupro contra o
deputado foi levantada durante a CPMI do INSS. Uma criança, que seria filha do
parlamentar, foi mencionada na acusação.
A equipe jurídica da campanha de Flávio Bolsonaro afirma que
o material genético do parlamentar foi coletado em uma
ação cautelar de produção antecipada de provas na Justiça de Alagoas. Assim, o
exame realizado em 24 de abril deste ano está à disposição para
compartilhamento com a PGR.
Segundo a defesa, a comparação genética é a única prova
capaz de afastar definitivamente a acusação e demonstrar que Gaspar não é o pai
da criança.