folhapress -04/07/2026 09:05
O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou a prorrogação da prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Condenado a 27 anos e três meses de prisão por liderar uma
trama golpista, Bolsonaro chegou a cumprir parte da pena em regime fechado, mas
recebeu o benefício da domiciliar humanitária em 27 de março, por questões de
saúde.
A decisão veio após Bolsonaro prestar depoimento à Polícia
Civil do Distrito Federal sobre a arma registrada em seu nome e apreendida com
um de seus seguranças durante uma blitz, na semana passada.
No depoimento, que durou cerca de cinco minutos, o ex-presidente
reconheceu ser o regular proprietário da pistola e disse que ordenou o conserto
da arma por ter constatado uma falha, mas que isso não teria qualquer
correlação com o fim do prazo da domiciliar.
Segundo a versão da defesa de Bolsonaro, a equipe de segurança
–sem ele saber– tirou o percussor da arma e tornou-a inoperante, em uma medida
para prevenir acidentes, já que o ex-presidente faz uso de medicamentos
psiquiátricos que podem afetar sua cognição.
Alheio a essa manobra, o ex-presidente teria notado o
problema e ordenado o reparo.
Ainda que Bolsonaro tenha sido condenado e esteja cumprindo
pena, não havia até o momento qualquer determinação do STF sobre entrega de
armas, cancelamento de registros ou restrição semelhante.
A pistola Glock de calibre 9 milímetros foi apreendida na
segunda-feira passada (15) com o militar Estácio Leite da Silva Filho,
segurança de Bolsonaro. Ele foi abordado em uma blitz a 33 quilômetros do
condomínio do ex-presidente.
Moraes ordenou que a defesa explicasse "a razão pela qual
o condenado mantinha uma arma de fogo em casa" e por que, às vésperas do
encerramento da domiciliar, teria solicitado o conserto.
De acordo com os advogados, "a entrega do armamento [a
Estácio, para reparos] teve por única finalidade buscar auxílio na
identificação da falha e a realização da necessária manutenção".
Como mostrou a Folha, Moraes vinha cogitando a hipótese de
renovar a domiciliar de Bolsonaro por mais 90 dias, por considerar que a
custódia estava sendo cumprida sem intercorrências, em meio aos avanços das
articulações para a campanha eleitoral.
Contudo, o caso da pistola apreendida na blitz acendeu um
alerta no ministro. Segundo um interlocutor, a desconfiança de Moraes também
aumentou devido ao comportamento de Estácio durante a abordagem policial. A
própria PGR, porém, entendeu que o caso não era suficiente para tirar o
ex-presidente do regime atual.
O policial militar Davi Evangelista Alves narrou que a
pistola estava no assoalho do carro e que, quando a percebeu, "o
motorista, de forma repentina, fechou o vidro". Além disso, Estácio não
teria respondido de primeira que a arma era de Bolsonaro.
A versão dada por Estácio, por outro lado, foi a de que ele
"informou imediatamente" que a arma pertencia a Bolsonaro e que
levava o equipamento para conserto, planejando devolvê-lo no dia seguinte.
Desde que foi beneficiado pela domiciliar devido a uma
broncopneumonia, Bolsonaro vem se recuperando sem complicações. Ele só voltou
ao hospital uma vez, para uma cirurgia no ombro, não ligada à questão
respiratória.