cnn -10/08/2026 16:49
O senador Weverton Rocha (PDT-MA) pediu ao
presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que tome providências
sobre o vazamento de dados extraídos de seu celular, apreendido pela PF
(Polícia Federal) durante a Operação Sem Desconto, em dezembro do ano
passado.
O requerimento encaminhado à Mesa Diretora da Casa no último
sábado (8) foi feito após a divulgação de uma foto de Weverton e outros
parlamentares na piscina de uma propriedade do advogado e empresário Willer
Tomaz, em Brasília. A imagem teria sido registrada em abril de 2023 e foi
publicada inicialmente pela revista "Piauí".
No requerimento, o senador alega que a foto expôs congressistas de diferentes partidos que não são
investigados no caso. Aparecem na imagem o ex-presidente da Câmara, Arthur
Lira (PP-AL), e os deputados Elmar Nascimento (União-BA), Paulo Azi
(União-BA), Juscelino Filho (PSDB-MA), ex-ministro das Comunicações do
governo Lula, e o hoje ex-deputado federal Alexandre Ramagem, do PL,
condenado também por participação no plano de golpe.
Weverton afirma que, desde a apreensão do aparelho,
mensagens, fotografias e informações de caráter pessoal vêm sendo divulgadas,
inclusive conteúdos que, segundo ele, não têm relação com o objeto da
investigação e envolvem terceiros alheios ao inquérito.
Para o senador, a divulgação de material protegido por
segredo de Justiça viola a intimidade e a vida privada, o sigilo dos autos e a presunção de inocência. Ele
sustenta ainda que o repasse dessas informações pode, em tese, configurar crime
de violação de sigilo funcional.
"A seletividade com que os elementos são liberados,
sempre de modo a maximizar a repercussão, não raro antes de qualquer
contraditório, demonstra não se tratar de mero incidente, mas de prática que
compromete a lisura da investigação e a dignidade das instituições",
argumenta Weverton no pedido.
O senador acrescenta que "a defesa da intimidade dos
parlamentares e da higidez do segredo de justiça é, também, defesa da
independência e do decoro do Poder Legislativo, competindo a esta Casa atuar em
sua salvaguarda".
No pedido a Alcolumbre, Weverton solicita que a Advocacia do
Senado acione o ministro relator do caso no STF (Supremo Tribunal Federal),
a PGR (Procuradoria-Geral da República) e a Corregedoria-Geral da PF
para apurar a origem dos vazamentos e buscar a responsabilização de eventuais
envolvidos.
O senador também pede a preservação dos registros que
permitam rastrear quem acessou, extraiu, copiou ou compartilhou o material,
inclusive por aplicativos de mensagens ou com assessorias de comunicação.
Weverton quer ainda que o Senado cobre do Ministério da
Justiça e Segurança Pública informações sobre as providências adotadas
para investigar os vazamentos e impedir novas divulgações, além de
esclarecimentos sobre os responsáveis pela custódia do material e pela
comunicação relacionada às diligências.
O parlamentar também quer que o caso seja levado à comissão
competente e à Corregedoria/Ouvidoria do Senado para que sejam avaliadas
medidas em defesa das prerrogativas dos parlamentares e da intimidade dos
congressistas que, segundo ele, foram expostos indevidamente.
Weverton Rocha é alvo de investigação no âmbito do inquérito
que apura as fraudes no INSS. Agora, a PF avança sobre um suposto esquema de lavagem de dinheiro.
Na semana passada, Willer Tomaz e familiares foram alvos de busca e apreensão
por suspeitas de ligação com o senador.
Em nota, Willer Tomaz repudiou a divulgação da fotografia,
registrada em 2023 durante evento particular em sua propriedade e vazada do
celular do senador. Segundo ele, a imagem não tem relação com sua atividade
profissional nem com os fatos investigados. Tomaz reforçou ainda que não é
investigado por fraudes previdenciárias no âmbito do inquérito que
apura desvios do INSS.